O chiado no fundo dava vida ao frio que resfriava a sala, o ar condicionado fazia seus pelos dos braços eriçarem-se. As mãos geladas custavam manter firmes as canetas. Funções, Derivadas... As pálpebras pesadas, por vezes descansavam sobre os olhos vermelhos. Gráficos e Coordenadas... Um espirro distante, cadeiras arrastadas, um zíper fechando. Média de A vezes erro de B mais erro de A vezes média de B... Sente as costas cansadas, os joelhos atrofiados, os músculos inúteis. Extremos relativos, Integrais e aplicações... O pescoço sente as horas de tensão, tornando-se rígido. Fileiras infindas de estantes lotadas de livros com capas vermelhas e verdes com seus números de chamada 517HL711c=690 de pouco sentido, criados por alguma mente disforme. Difrações eletrônicas, maior lambda menor frequência, maior frequência menor lambda, Planck, Einstein e Heisenberg... O estômago dá voltas, ameaça desafiar a lei da gravida... HIC'! e passa novamente. Soma de dois cubos, multiplicações com sinais invertidos, cancela e cancela... A mente é surpreendida tentando escapar daquele lugar, mas o Testemonstro a captura antes que ela possa terminar de lixar as grades maciças. A menina da mesa em frente descansa o lápis e parece mandar um torpedo pra alguém; uma calculadora cai no chão assustando um grupo de três pessoas mais ao fundo - elas sorriem depois. Fótons e elétrons, doses absorvidas e doses equivalentes...
No fundo da sala, numa parede branca, uma frase escrita em letras garrafais "Falar aqui é um desrespeito. Comer é ainda pior", - falar, comer, sorrir, resmungar, engolir seco, olhar pro lado, sussurrar, sonhar, respirar - pensou. E então acontece, os pensamentos escapam por um instante: um pouco de sol tocando de leve seus pés gelados, muitas árvores e um bom livro, algo que não lembrasse nem de longe as experiências com os livros de ciências puras marcados com o 6 de dias passados, um pouco de tranquilidade e nenhuma ansiedade com o que viria adiante. Apenas estaria sentado observando alguns passarinhos voarem pra longe...
domingo, 10 de abril de 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
Preciso de mais paciência pra postar algo decente. To aqui a uma meia hora escrevendo o primeiro parágrafo, mas já apaguei algumas vezes e as boas ideias temem em não vir me fazer companhia. Só sei que quero escrever.
Hoje o professor louco de física falou umas coisas, que claro, fazem o maior sentido, mas são, de alguma forma, tristes de saber. Ele é completamente preso nos conceitos e teorias de física e fica até meio exaltado quando alguém tenta ir contra o que ele acredita, é inteiramente racional.
Não serei hipócrita de achar que ele esteja errado, porque eu também acho bastante difícil acreditar na maioria das coisas ligadas a destinos, divindades, teorias conspiratórias e todas essas coisas não comprovadas, mas o fato é que ele é tão inteiro assim e tão convicto disso que chega a parecer uma máquina.
Só de pensar que nós somos tão pequenos e poucos se olharmos o universo todo, já é um motivo pra nos considerarmos uns ignorantes absolutos, não conhecemos nem uma parte ínfima de tudo que existe. Nós não conhecemos nem a nós mesmos! E por outro lado, somos tantos, vivendo em engarrafamentos enormes, nos apertando em pequenos espaços, competindo desesperadamente por uma vaga na universidade... E já descobrimos tantas coisas incríveis, criamos meios de nos livrar de doenças, de diminuir distâncias, compusemos músicas, pintamos quadros, escrevemos livros, poesias... Nós somos tão espertos!
O que quero dizer com tudo isso, é que sempre existem dois lados, e como "bons humanos" que somos, não devemos simplesmente ser e ser, só isso e pronto. Somos bilhões de pessoas que se esbarram todos os dias mas que nunca se conhecem de verdade porque estamos nos transformando a todo momento, e tudo a nossa volta está também.
As coisas são sempre mais complicadas do que parecem!
Hoje o professor louco de física falou umas coisas, que claro, fazem o maior sentido, mas são, de alguma forma, tristes de saber. Ele é completamente preso nos conceitos e teorias de física e fica até meio exaltado quando alguém tenta ir contra o que ele acredita, é inteiramente racional.
Não serei hipócrita de achar que ele esteja errado, porque eu também acho bastante difícil acreditar na maioria das coisas ligadas a destinos, divindades, teorias conspiratórias e todas essas coisas não comprovadas, mas o fato é que ele é tão inteiro assim e tão convicto disso que chega a parecer uma máquina.
Só de pensar que nós somos tão pequenos e poucos se olharmos o universo todo, já é um motivo pra nos considerarmos uns ignorantes absolutos, não conhecemos nem uma parte ínfima de tudo que existe. Nós não conhecemos nem a nós mesmos! E por outro lado, somos tantos, vivendo em engarrafamentos enormes, nos apertando em pequenos espaços, competindo desesperadamente por uma vaga na universidade... E já descobrimos tantas coisas incríveis, criamos meios de nos livrar de doenças, de diminuir distâncias, compusemos músicas, pintamos quadros, escrevemos livros, poesias... Nós somos tão espertos!
O que quero dizer com tudo isso, é que sempre existem dois lados, e como "bons humanos" que somos, não devemos simplesmente ser e ser, só isso e pronto. Somos bilhões de pessoas que se esbarram todos os dias mas que nunca se conhecem de verdade porque estamos nos transformando a todo momento, e tudo a nossa volta está também.
As coisas são sempre mais complicadas do que parecem!
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