sábado, 23 de julho de 2011

Meu coração acelera quando coloco Amy pra tocar. Sinto-me mais afetada agora do que pensei que ficaria quando isso acontecesse. A Amy era mais que minha cantora e minha voz favoritas, era a imagem mais legal da minha adolescência, era a primeira artista que eu gostei de verdade, a primeira que eu senti que poderia amar pra sempre, sem enjoar. Quando ganhei o DVD Back to Black - Live in London, no meu aniversário de quinze anos lembro que assistia todos os dias, ninguém em casa aguentava mais me ver assistindo o mesmo filme direto, isso por uns seis meses. Eu fiquei aturdida mesmo pelo modo como me senti, eu nunca perdi um ídolo da minha época.

A Amy é sempre minha lembrança de dias felizes - por vezes até demais inclusive -, e motivo de assunto longo sobre como ela sairia dessa má fase e voltaria de novo, toda bonitona, de desenhos engraçadinhos e companhia pra horas desesperadas (em dias não tão felizes assim). É um tanto bobo dizer isso e me sentir como me sinto agora, mas podia me sentir ligada a ela quando ouvia sua música. Amy era tão humana, e tão incrivelmente talentosa, que de alguma maneira conseguia me fazer sentir toda aquela emoção, solidão e dor que transformava em canções.

Esse post não é pra por em dúvida a contribuição para a música que ela tenha dado, ou discutir os efeitos das drogas na sociedade moderna, é só porque eu sinto que preciso escrever sobre isso, escrever sobre como Amy Winehouse trouxe beleza para a minha vida.

Eu não consigo escrever muitas coisas bonitas, muito menos sei descrever o que senti hoje, há tristeza em mim e um bocado de pena também. Amy foi demais mesmo.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Às vezes uma felicidade besta te encontra e as coisas pequenas passam a ter tanta importância, não porque são simples e isso basta, mas porque são, de certo modo, imensas, são filosofia. Às vezes um dia não é só um dia, às vezes um dia é o dia, e as coisas difíceis não fazem mais sentido, porque você vê que nem é preciso ter tudo o que é preciso, porque o que é preciso nem é assim tão preciso. E a vida é tão assim, é tão cheia de dor e sofrimento e dias ruins e decepções e mudanças, isso tudo num liquidificador maluco, deixando tudo junto, tudo ao mesmo tempo, que a gente acha que precisa de algo pra mudar isso constantemente, mas às vezes, às vezes você para de querer algo além e ainda assim continua sonhando, mas o que sonha deixa de ser longe, é sonho de "tato", ele existe e é agora.
Esses dias não são necessariamente os mais felizes, mas você se sente livre, a vida está acontecendo e não importa que pareça bobo depois, importa que dias assim, apesar de tudo, ainda existem. Às vezes é difícil descrever um dia bom.

Ps.: É, eu sei que ficou parecendo textos falados por ~narradores de final de filmes românticos e que passam lição de moral enquanto imagens de gente feliz ficam aparecendo e que te querem fazer acreditar que tudo ficará bem pra sempre~, mas tá tudo bem, os clichês só são clichês porque fazem algum sentido.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

               Dirigia sozinho, o céu estrelado, sem lua, deixava a noite acima do normal melancólica. Os carros diminuíam a velocidade e encostavam na calçada. Uma ou duas mulheres com pouca roupa debruçavam-se sobre a janela de cada carro que parava oferecendo diversão barata. Encostei meu carro e uma mulher - olhos e boca grandes, cílios destacados, cabelos bastos castanhos - aproximou-se, perguntou-me se desejava "relaxar um pouco em um lugar diferente daquele" e sorriu amarelo tentando me convencer de que ela gostava de tudo aquilo. Disse que sim e ela entrou no carro. Pude sentir o cheiro doce de sua pele e distinguir um outro cheiro diferente, de fruta, de seus cabelos.
              Ela acendeu um cigarro e então partimos. Suas pernas nuas e reluzentes, seu rosto singularmente indecifrável. Fomos até um hotel próximo. Seus sapatos marcavam cada passo pelo corredor mal iluminado. Ela encostou-se na parede enquanto eu lutava com a chave para que esta entrasse na fechadura. Entramos.
               Pela primeira vez pude olhar direto nos seus olhos. Tinham uma profundidade pertubadora. Era engraçada toda aquela situação. Cheguei à conclusão alguns dias depois de que nenhum de nós gostaria de estar ali. Mas estávamos. Sentia-me curioso por ela, queria saber seu nome e por que estava ali comigo, mas eu não podia perguntar.
               Aquilo era simples, era só aquilo e fim e todos de volta às suas casas, de volta às suas vidas, vividas ou não. Sua boca era sabor nicotina; nicotina e chiclete de melancia, era, fora do normal, quente, ou talvez fosse eu sentindo-me anormalmente com frio. A cada movimento que ela ensaiava eu pudia sentir seus cheiros diferentes. Mas...
               Eu a tocava e ela parecia não sentir; ela me tocava e eu, como que tomado pela dormência, não a podia sentir...
               Aquilo tudo era tão pouco. Pensei que talvez fosse necessário mais do que um homem e uma mulher pr'aquilo tudo fazer sentido. Eu a queria ter mais do que à sua pele e suas pernas. Mas eu nunca teria. Terminamos e sentia-me faminto. Ela não conseguira matar minha fome, como isso é possível? Fome de sentir é fome insaciável, é fome grande demais...

sábado, 28 de maio de 2011

Um mosaico de sentimentos. É difícil saber do que se gosta e o que se quer da vida. Sabe, pensar é saudável mas dói tanto. Fugir de pessoas e do que se sente também dói bastante. Tenho doído sempre que começo a pensar demais. Eu tenho vontade de não sentir mais vontade. De desejar só aquilo que eu tenho e poder ser feliz sem ficar procurando um motivo pra tudo, uma razão pra tudo. Sou uma insatisfeita constante. Se me sinto bem, não consigo acreditar que sinto-me bem de verdade, então trato de procurar rápido por motivos que me tragam de volta a mim, de volta a doer. Isso que está aqui dentro agora, é como uma desesperança ingrata, é como não saber o que esperar e ainda assim arrumar-se, sentar-se e colocar-se a espera, é como não saber se deveria mesmo colocar tudo isso em palavras, mas mesmo assim o fazer, sem esperar que mude algo, mas desejando que mude. Se volto a escrever textos desse tipo talvez seja porque começo a voltar ao normal, talvez eu esteja deixando passar de vez a sensação de falsa felicidade que pensei viver por tantas semanas... Intermináveis semanas.
As coisas não precisam ser assim, não é?

domingo, 8 de maio de 2011

Eu perdi meus óculos na sexta-feira durante uma aula de campo, embaixo do sol da manhã e do meio dia (a aula foi muito longa), no meio do cerrado - cerradão mesmo, na verdade, senso restrito, mas não importa, muitas árvores iguais, muitas formigas, e muito mato. Ainda me sinto chateada com isso...
Isso não foi um fato isolado, e isso sim é assustador, ultimamente tenho perdido objetos, compromissos, ônibus, o sono e a sanidade, "meus dias têm tido uma atmosfera onírica e andam passando muito rápido" (M. Destro).

- Vai ver é tuberculose... Mãe, a Amanda tá com tuberculose.
Minha irmã querendo me animar, fazendo suposições sobre minha tosse de velho, pra alguns, de ~~Marli-do-MP~~ pra outros e de fumante compulsivo pros demais, que não vai embora nunca...


Sou eu perdendo a saúde também.

Nesse fim de semana, eu me senti estranhamente sentimental. No sábado completou uma data importante pra mim, e hoje, domingo, foi dia das mães, foi bom, mas me deu um aperto estranho, acho que minha mãe é definitivamente minha pessoa preferida.

Hm... Just like watching the detectives, Don't get cute! It's just like watching the detectives. I get so angry when the teardrops start, but he can't be wounded 'cause he's got no heart... *eu cantando* Nesse momento eu sinto vontade de favoritar todas as músicas do Elvis Costello...

 Às vezes eu me pego olhando pro nada e pensando em nada, minha cabeça fica completamente vazia, eu queria poder não me preocupar com nada, pelo menos não com as coisas muito pequenas. Meus planos falhos são frustrantes. Eu vejo coisas que me fazem tão mal, eu não sei lidar com o que eu sinto, e eu não sei parar de procurar por essas coisas.
Os meus eu líricos têm problemas seríssimos de alcoolismo, depressão, pedofilia entre outros. Eu devia me preocupar com isso?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

   I can't get you outta of my mind, oh, no no... O trecho ziguezagueava infinitamente em meu subconsciente. A música não saía de minha cabeça assim como A-Garota-de-Sorriso-Brilhante também não. Nem era pela presença física dela, era o que ela me representava, a minha liberdade e a dela. Ela era livre, ela sabia como ser livre sem incomodar as outras pessoas, tudo que ela falava e fazia parecia ter sentido, mesmo que não tivesse de fato. E ela sorria. Quando ela fazia isso era como se meus lábios a quisessem seguir, se abrindo também. Garota que mudou meus dias uma vez, e outra depois, e várias outras em seguida, eu podia falar dos seus olhos, seus cabelos ou sua pele (Ah!), mas seu sorriso chega a causar palpitações.
Os Ramones continuam tocando no último volume no meu fone, minhas costas continuam doendo, meus exercícios continuam em branco, eu não tenho tido muito tempo de escrever e o que me sobra tem dado em textos como:
     "O sol a pino dava brilho às copas das árvores. A areia branca e fina lhe penetrava os dedos dos pés como um veludo macio. A água seguia lentamente seu curso e podia-se ouvir os barulhos dos pássaros e de alguns insetos. Folhas estralavam às suas costas e por um instante pensou ter sentido um sopro quente em seu pescoço..." ... é só, não consegui continuar, essa situação tem se repetido várias vezes nas últimas semanas, não sei o que fazer. E agora? Será que tenho me tornado escrava dos números e desconhecida das palavras?

domingo, 10 de abril de 2011

O chiado no fundo dava vida ao frio que resfriava a sala, o ar condicionado fazia seus pelos dos braços eriçarem-se. As mãos geladas custavam manter firmes as canetas. Funções, Derivadas... As pálpebras pesadas, por vezes descansavam sobre os olhos vermelhos. Gráficos e Coordenadas... Um espirro distante, cadeiras arrastadas, um zíper fechando. Média de A vezes erro de B mais erro de A vezes média de B... Sente as costas cansadas, os joelhos atrofiados, os músculos inúteis. Extremos relativos, Integrais e aplicações... O pescoço sente as horas de tensão, tornando-se rígido. Fileiras infindas de estantes lotadas de livros com capas vermelhas e verdes com seus números de chamada 517HL711c=690 de pouco sentido, criados por alguma mente disforme. Difrações eletrônicas, maior lambda menor frequência, maior frequência menor lambda, Planck, Einstein e Heisenberg... O estômago dá voltas, ameaça desafiar a lei da gravida... HIC'! e passa novamente. Soma de dois cubos, multiplicações com sinais invertidos, cancela e cancela... A mente é surpreendida tentando escapar daquele lugar, mas o Testemonstro a captura antes que ela possa terminar de lixar as grades maciças. A menina da mesa em frente descansa o lápis e parece mandar um torpedo pra alguém; uma calculadora cai no chão assustando um grupo de três pessoas mais ao fundo - elas sorriem depois. Fótons e elétrons, doses absorvidas e doses equivalentes...
No fundo da sala, numa parede branca, uma frase escrita em letras garrafais "Falar aqui é um desrespeito. Comer é ainda pior", - falar, comer, sorrir, resmungar, engolir seco, olhar pro lado, sussurrar, sonhar, respirar - pensou. E então acontece, os pensamentos escapam por um instante: um pouco de sol tocando de leve seus pés gelados, muitas árvores e um bom livro, algo que não lembrasse nem de longe as experiências com os livros de ciências puras marcados com o 6 de dias passados, um pouco de tranquilidade e nenhuma ansiedade com o que viria adiante. Apenas estaria sentado observando alguns passarinhos voarem pra longe...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Preciso de mais paciência pra postar algo decente. To aqui a uma meia hora escrevendo o primeiro parágrafo, mas já apaguei algumas vezes e as boas ideias temem em não vir me fazer companhia. Só sei que quero escrever.
Hoje o professor louco de física falou umas coisas, que claro, fazem o maior sentido, mas são, de alguma forma, tristes de saber. Ele é completamente preso nos conceitos e teorias de física e fica até meio exaltado quando alguém tenta ir contra o que ele acredita, é inteiramente racional.
 Não serei hipócrita de achar que ele esteja errado, porque eu também acho bastante difícil acreditar na maioria das coisas ligadas a destinos, divindades, teorias conspiratórias e todas essas coisas não comprovadas, mas o fato é que ele é tão inteiro assim e tão convicto disso que chega a parecer uma máquina.
Só de pensar que nós somos tão pequenos e poucos se olharmos o universo todo, já é um motivo pra nos considerarmos uns ignorantes absolutos, não conhecemos nem uma parte ínfima de tudo que existe. Nós não conhecemos nem a nós mesmos! E por outro lado, somos tantos, vivendo em engarrafamentos enormes, nos apertando em pequenos espaços, competindo desesperadamente por uma vaga na universidade... E já descobrimos tantas coisas incríveis, criamos meios de nos livrar de doenças, de diminuir distâncias, compusemos músicas, pintamos quadros, escrevemos livros, poesias... Nós somos tão espertos!
O que quero dizer com tudo isso, é que sempre existem dois lados, e como "bons humanos" que somos, não devemos simplesmente ser e ser, só isso e pronto. Somos bilhões de pessoas que se esbarram todos os dias mas que nunca se conhecem de verdade porque estamos nos transformando a todo momento, e tudo a nossa volta está também.
As coisas são sempre mais complicadas do que parecem!

quarta-feira, 16 de março de 2011

      A cidade grande era fascinante. Olhava em volta. Milhares de pessoas apressadas. Edifícios enormes. Toneladas de concreto maciço mantendo-se de pé milagrosamente. O sol baixando deixava o cinza e a poeira tingidos de laranja.
Sentiu o corpo pesando. Era óbvio, "o homem é modelado pelo meio em que vive". Podia sentir suas vértebras enrijecendo-se. Caminhava enquanto pensava onde iria jantar mais tarde. Os pássaros dali eram diferentes dos que se lembrava de antes. Eram todos cinzas e brancos e fim.
    Um mendigo deitado no canto da calçada. Que histórias teria pra contar? Teria ele ouvido falar em atentados terroristas, ondas gigantes, tremores de terra ou aquecimento global?
     Uma mãe falando alto com a criança que se soltara de sua mão e ameaçava atravessar a avenida movimentada. Teria a mulher sofrido agressões de seu marido e vivia num casamento fracassado, graças à preguiça de ambos de conhecerem-se de fato, ou quem sabe teria ela tanto medo de estar só que levava a mesma vida miserável a anos, aceitando todas as situações, submissa ao esposo? E a criança, seria daquelas espantosamente curiosas e atrevidas, criadas com regalias demais, liberdade demais, refrigerante demais e atenção de menos?
       Um homem de lábios secos, com olheras e mochila nas costas. Seria ele um rapaz cheio de sonhos, mas completamente estagnado numa passividade tão destrutiva que já lhe transformara o coração em algo mais seco que seus lábios discretos, e o obrigava a só assistir televisão e aceitar tudo tranquilamente?
       Um grupo de estudantes falando alto e rindo, com seus tênis caros, seus entusiasmos extravagantes e seus corações cheios de vida sendo escancarados pra quem quisesse ver. Estariam eles cometendo um crime? Teriam bebidas alcoólicas em suas mochilas? Haveria casais entre eles?
        Uma adolescente, calça jeans e all star, fones de ouvido, uma pasta portifólio em uma das mãos, um milk shake na outra. Rosto sério, olhar perdido. Seria ela uma daquelas com tendências suicidas, que ouve músicas tristes e sente frio durante a noite? Teria ela sentido atração por outras meninas um dia? Já teria tocado um garoto num lugar escondido?
         Uma idosa caminhando devagar, olhos baixos, mas perceptivelmente assustados, lábios finos comprimidos, mãos trêmulas. Já vira seus filhos casarem-se, formarem-se? Teria netos que a chamariam de "Vovó", mas que não teriam a menor paciência quando ela não ouvisse direito ou não entendesse o que diziam? Teria histórias pra contar? Teria conhecido o amor?
            Pensou um instante no que deviam pensar dele quando o viam caminhando distraído.
  "Seria um administrador? Funcionário público? Do tipo infiel? Sádico talvez? Apaixonado? É difícil. Escritor solitário? Poeta? Louco? Revolucionário venezuelano antichavista exilado no Brasil? Seria um daqueles caras de meia idade, sentindo-se tão entediado que passou a observar ações triviais de pessoas comuns e a inventar-lhes uma vida, a fim de preencher o vazio de seus própios dias e de sua própria vida, tentando sentir-se um pouco mais humano e um pouco menos egoísta?"
Continuou caminhando e balbuciando But one thing is for real, a fish is a better friend than a human, and that's for sure... My goldfish died today, my goldfish died today...
Queria escrever mas não sabia como começar hoje, então decidi começar contando isso.
   Eu andei de bicicleta hoje, foi legal, tinha uns anos que não pedalava nada, e hoje andei por uns três minutos, quase morri de falta de ar e dor nas pernas, é que era uma daquelas pequenas.
Minha ansiedade está realmente excitada. Não consigo parar de pensar no início das aulas, eu tenho medo de falar sobre isso, porque se eu começo a falar sobre o assunto eu começo a pensar as várias faces do assunto e descubro mais motivos com os quais me preocupar, minha cabeça está cansada de verdade.
 Vi filmes legais esses dias.
Ensinei física pra um primo meu (o dono da bicicleta) hoje também.
Minha vontade de falar francês só cresce a cada dia.
Minha vontade de falar só diminui a cada dia.
Minhas mãos continuam trêmulas, acho que tenho isso desde sempre, mas a primeira vez que reparei que tinha alguma coisa diferente foi na 5ª série, durante uma prova, que um professor perguntou porque eu estava tremendo e eu disse que sempre acontecia de uma hora pra outra começava. Depois que fui reparar que ele deve ter pensado que eu estava passando cola ou alguma coisa assim e tava nervosa... Mas nem era, não sei de onde vem isso, às vezes tá tudo normal e começo do nada a tremer as mãos. Minha irmã me chamou de Vó Geralda por isso, foi bem engraçado na hora.

sábado, 5 de março de 2011

Pedi um conselho sobre música francesa e ganhei isso:
É impossível parar de ouvir.
Coisas do coração não são explicáveis. Elas só servem pra fazer doer.

sábado, 26 de fevereiro de 2011


A chuva é aparentemente fria e constante. A verdade é que ela não tem o menor controle sobre si, ela nunca sabe quando começa ou quando vai embora. Isso até parece uma auto descrição.


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Acordou. Abriu os olhos por um instante, viu o sol entrando pela porta de vidro, se odiava por não ter comprado as cortinas ainda, já ficava quente embaixo do edredom, mesmo assim se virou pra parede tentando ignorar a claridade ao redor. Enquanto ficava deitado fazia planos muito longe e bem ousados, imaginava como seria o futuro que se aproximava, naquele instante não teve medo nem ansiedade, não sentiu nada tão extraordinário, apenas tentou imaginar como seriam os dias que viriam a frente. Se levantou enfim, ele tinha motivos para se orgulhar, e não tinha dúvidas a respeito disso, sentiu o corpo leve, a cabeça tranquila, tinha a situação sob controle. O café quente trouxe o conforto de estar em casa. A simplicidade de seus livros amontoados num canto do guarda roupas, as canetas que sempre falhavam na lateral da gaveta, uns papéis com anotações à lápis jogados sobre a cama, sua bagunça habitual sempre lhe afirmava aquilo de que já suspeitara, a única coisa de que sempre precisou é estar em um lugar que possa chamar de seu, sentir-se seguro ali é tudo o que importa, é o que faz todos os sacrifícios valerem a pena, é isso que sempre procurou. E estava tudo ali. Ele podia tocar em tudo. Tinha tudo sob controle. Se levantava, comia, ligava o computador, ouvia músicas, lia páginas muito interessantes de outras pessoas enquanto ouvia músicas, via alguns desenhos, comia, abria um livro e lia até uma página predeterminada, ligava o som, a internet de companhia, então cochilava, assistia um filme e então cochilava durante o filme, levantava, comia, olhava o relógio, já começava a ficar escuro, tentava se decidir numa discussão interminável consigo mesmo se preferia com ou sem o horário de verão, nunca chegava a nenhuma conclusão, então ficava muitos minutos debaixo do chuveiro, comia, e ia se deitar, então pensava no futuro, fazia planos, tentava enxergar como seriam os próximos dias, adormecia, e no dia seguinte acordava com a luz do sol entrando pela porta de vidro, se odiava por não ter comprado as cortinas ainda... Tinha tudo sob controle, tentava se convencer diariamente de suas verdades indubtáveis, porque estava tudo ali, podia tocar em tudo. Está tudo sob controle.
É que chegaram dias em que não conseguia controlar seus pensamentos...
O que é essa apatia mórbida que enterrava seus dias? E tudo aquilo que o fazia gostar de ter segurança? Se perguntava sobre o medo que sentia de fazer as coisas mudarem e ao mesmo tempo o pânico que tinha das coisas continuarem como estavam... Estava preso num paradoxo que o fazia não ter o que preferir. Simplesmente tornava-se passivo e aceitava o que já era tarde demais pra mudar, e era tarde não porque era velho ou algo parecido, era muito tarde pra tentar se transformar inteiro novamente. Seus sentimentos então engarrafados, buscavam apenas o conforto da rotina e sua alma, carente e fria, gritava pelo calor do caos, pela queda improvisada, pelo Inesperado!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

 É engraçado, eu nem tenho passado meus textos a limpo mais, como agora eu "passo a limpo" pra cá, minhas anotações estão virando uma bagunça, cada uma num tipo de folha diferente, a caligrafia uma beleza... E olhando aqui encontrei um poema que fiz a um tempinho já, e foi feito pra umas pessoinhas que, eu tenho certeza, se estivessem aqui perto de mim estariam deixando as coisas muito mais fáceis. E como já virou banal minha saudade, não tem problema eu escrever mais a respeito dela, me ajuda a esperar o dia de ver vocês de novo. E vai servir como pontapé pra minha coragem aumentar (de novo). Lá vai...

O céu se fez nublado
E me lembrou tão claramente
Daqueles dias de glória, inflados
O cheiro me pareceu o mesmo
Suas imagens na minha retina, coladas
Suas almas, à minha, entrelaçadas,
Eram tardes incríveis,
Momentos, não há dúvidas, inesquecíveis
Esperando a chuva chegar,
Sentados juntos na calçada
Comendo chocolate, dando risadas,
São aqueles dias em que tudo parece possível
São dias em que a coragem se torna real.
A luz do sol, então ofuscada,
Nos toca, na medida exata
Sonhamos com um futuro de dias assim lotado,
Sonhamos com essa alegria assim sincera, abençoada...
No início dessa semana eu escrevi um texto que começava assim : "Acho que já sinto um desânimo crônico"... e depois disso vinha um monte de blá blá blá ainda pior. Decidi não postar naquele dia porque tava realmente desanimada, então hoje fui ler de novo pra ver se postava e decidi que não ia. Só algumas partes que ainda estão valendo hoje eu vou pôr aqui. É que tem dias que é impossível postar confiante e otimista, se olhar bem, na maioria deles...
Tenho experimentado sensações diferentes nas últimas semanas, isso tem me deixado meio confusa, às vezes to me sentindo muito bem, acordo esperando um dia ótimo e de repente, milhares de pensamentos preocupados ocupam minha cabeça novamente. Mas não são preocupação de verdade, na verdade mesmo eu to morrendo de medo de assumir responsabilidades. Eu não consigo simplesmente fazer as coisas que tem que ser feitas e deixar que o tempo organize o resto, fico repassando todos os assuntos de novo e faço planos sem nexo. Eu tinha me prometido que se eu passasse na faculdade esse ano eu não ia mais reclamar, eu tinha me prometido que estaria sempre satisfeita, e eu to, mas to com muito medo, não sei de onde veio isso, eu tento ter pensamentos positivos quando começo a ficar pilhada, e até que resolve, por alguns minutos... De qualquer maneira eu tenho me esforçado pra relaxar. Não quero me sentir ingrata com as coisas boas que tem me acontecido desde o ano passado e que continuaram esse ano, eu não sei o que tá acontecendo mas minha vida tem melhorado cada vez mais, não é possível que eu seja assim tão covarde, que não consiga encarar umas situaçõezinhas mais chatas...

Isso aqui ta cada vez mais parecido com um diário, não quero isso, ta ficando horrível, então espero conseguir postar de novo umas coisas menos chatas das próximas vezes.

Tá chovendo lá fora, só vi agora, é melhor diminuir o volume do fone.
    Aném, Beck é bem melhor.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Eu me proíbo definitivamente de reclamar da minha sorte, sentir desânimo ou ter dúvidas da minha capacidade! É um alívio ver os resultados positivos de uma vida inteira de "nerdisse" no colégio. É!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Eu não sei descrever como me sinto agora, é tão estranho, eu não sei, talvez seja ciúme, ou não, é que não há motivos, e ao mesmo tempo me sinto melhor porque talvez assim esses pensamentos saiam da minha cabeça... Isso já dura tanto tempo, já me deixou tão cansada, irritada... Eu nem sei o que dizer ou o que pensar a respeito, já fiz o que tinha que ser feito, e acho que foi até motivo de... na verdade eu nem sei, porque não houve manifestações. Já passei da fase de ficar pirando, mas as coisas vão bem e depois pioram, e fica indo e vindo, isso nunca para. Nem faz sentido, como pode um negócio desses?

sábado, 22 de janeiro de 2011

É, passou mais um dia e o que foi que eu fiz? Eu não faço nada, é incrível, muita gente acha até difícil eu não fazer nada todo dia, o dia todo, mas eu realmente não faço.
 Que cara de pau a minha, na verdade eu nem me sinto culpada. Acho que me acostumei a essa passividade. Eu talvez até quisesse reagir, mas não sei como, eu de verdade não sei fazer isso. Talvez o blog seja um erro, eu percebo que eu gosto muito mais de ler o que outros escrevem do que de escrever mesmo.
Já estou em falta com esse blog praticamente desde que comecei.
Tive momentos em que postei sinceramente, mas muitos outros em que só fiquei em silêncio no meio das minhas milhares de anotações à caneta feitas no meu velho caderno de capa azul.

A verdade é que me sinto tão vazia e entediada que não consigo mais escrever. Sofrer não é ruim, pelo menos me rende uns textos melodramáticos o suficiente para eu achar interessante postar, mas eu ando meio "sem sentidos" esses dias. Eu até que me sinto bem, mas não o suficiente para textos otimistas e muito menos sinto o que senti tantas vezes nos últimos meses. E se eu começo a pensar nisso eu começo a sentir uma angústia estranha porque eu nunca chego a nenhuma conclusão, eu me sinto completamente perdida, eu nem consigo enxergar o problema de fato, eu nem sei se há um problema, isso tá tão chato, esses dias calmos, essa cabeça vazia de pensamentos produtivos, essa falta de assunto. To cansada de acordar tarde, cansada de ouvir as besteiras vazias de pessoas próximas - eu me sinto mal com isso, mas será que não dá pra perceber que eu não estou interessada? -, cansada de ver filmes que não tem um bom roteiro, eu queria saber como podem existir pessoas que façam filmes tão ruins como os que eu vi hoje, me dá um desânimo, estou cansada das minhas músicas velhas (é muito ruim dizer isso, me sinto mal mesmo), e do barulho da tv que nunca acaba, desse frio que congela meus pés quando estou no computador, dessa preguiça de responder os recados e emails e ligar pra pessoas a quem devo notícias a dias, e da bagunça do meu quarto, eu sinto raiva daquela caixa, ali no canto, que eu ainda não desfiz desde a mudança...

  As coisas devem melhorar na semana que vem, assim espero de verdade, quero de volta minhas dores de cabeça, meus momentos psicóticos à espera de algum ônibus abençoado pra me levar a algum lugar muitas vezes nada interessante mas que no fim das contas é o que me faz bem, o que me faz sentir muito prazer em estar de volta em casa, ligar o computador e morrer na voz do David Byrne.
      Preciso de algo pra preencher os meus dias, e preciso de um par de meias e de um pão de queijo.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

É impressionante como alguns momentos fazem diferença nos nossos dias... Bom, é difícil tomar atitudes, sair do casulo confortável, encarar algumas situações, mas quando se cria coragem pra fazê-lo, o retorno é muito positivo. Eu falo de sentimentos. E olha que coisa incrível, esse é o primeiro post de 2011, é meio bobo isso, mas eu sinto que comecei a me mexer, é simples, é só me esforçar um pouquinho e esquecer por alguns instantes "o que será que os outros vão pensar?", e eu decidi não me importar mais se eu parecer meio boba. Vai ser uma mudança e tanto. As coisas têm que começar a se acertar certo?
  "Vou me afundar na lingerie, babe" !  É, já era tempo.