quarta-feira, 4 de maio de 2011
I can't get you outta of my mind, oh, no no... O trecho ziguezagueava infinitamente em meu subconsciente. A música não saía de minha cabeça assim como A-Garota-de-Sorriso-Brilhante também não. Nem era pela presença física dela, era o que ela me representava, a minha liberdade e a dela. Ela era livre, ela sabia como ser livre sem incomodar as outras pessoas, tudo que ela falava e fazia parecia ter sentido, mesmo que não tivesse de fato. E ela sorria. Quando ela fazia isso era como se meus lábios a quisessem seguir, se abrindo também. Garota que mudou meus dias uma vez, e outra depois, e várias outras em seguida, eu podia falar dos seus olhos, seus cabelos ou sua pele (Ah!), mas seu sorriso chega a causar palpitações.
Os Ramones continuam tocando no último volume no meu fone, minhas costas continuam doendo, meus exercícios continuam em branco, eu não tenho tido muito tempo de escrever e o que me sobra tem dado em textos como:
"O sol a pino dava brilho às copas das árvores. A areia branca e fina lhe penetrava os dedos dos pés como um veludo macio. A água seguia lentamente seu curso e podia-se ouvir os barulhos dos pássaros e de alguns insetos. Folhas estralavam às suas costas e por um instante pensou ter sentido um sopro quente em seu pescoço..." ... é só, não consegui continuar, essa situação tem se repetido várias vezes nas últimas semanas, não sei o que fazer. E agora? Será que tenho me tornado escrava dos números e desconhecida das palavras?
"O sol a pino dava brilho às copas das árvores. A areia branca e fina lhe penetrava os dedos dos pés como um veludo macio. A água seguia lentamente seu curso e podia-se ouvir os barulhos dos pássaros e de alguns insetos. Folhas estralavam às suas costas e por um instante pensou ter sentido um sopro quente em seu pescoço..." ... é só, não consegui continuar, essa situação tem se repetido várias vezes nas últimas semanas, não sei o que fazer. E agora? Será que tenho me tornado escrava dos números e desconhecida das palavras?
domingo, 10 de abril de 2011
O chiado no fundo dava vida ao frio que resfriava a sala, o ar condicionado fazia seus pelos dos braços eriçarem-se. As mãos geladas custavam manter firmes as canetas. Funções, Derivadas... As pálpebras pesadas, por vezes descansavam sobre os olhos vermelhos. Gráficos e Coordenadas... Um espirro distante, cadeiras arrastadas, um zíper fechando. Média de A vezes erro de B mais erro de A vezes média de B... Sente as costas cansadas, os joelhos atrofiados, os músculos inúteis. Extremos relativos, Integrais e aplicações... O pescoço sente as horas de tensão, tornando-se rígido. Fileiras infindas de estantes lotadas de livros com capas vermelhas e verdes com seus números de chamada 517HL711c=690 de pouco sentido, criados por alguma mente disforme. Difrações eletrônicas, maior lambda menor frequência, maior frequência menor lambda, Planck, Einstein e Heisenberg... O estômago dá voltas, ameaça desafiar a lei da gravida... HIC'! e passa novamente. Soma de dois cubos, multiplicações com sinais invertidos, cancela e cancela... A mente é surpreendida tentando escapar daquele lugar, mas o Testemonstro a captura antes que ela possa terminar de lixar as grades maciças. A menina da mesa em frente descansa o lápis e parece mandar um torpedo pra alguém; uma calculadora cai no chão assustando um grupo de três pessoas mais ao fundo - elas sorriem depois. Fótons e elétrons, doses absorvidas e doses equivalentes...
No fundo da sala, numa parede branca, uma frase escrita em letras garrafais "Falar aqui é um desrespeito. Comer é ainda pior", - falar, comer, sorrir, resmungar, engolir seco, olhar pro lado, sussurrar, sonhar, respirar - pensou. E então acontece, os pensamentos escapam por um instante: um pouco de sol tocando de leve seus pés gelados, muitas árvores e um bom livro, algo que não lembrasse nem de longe as experiências com os livros de ciências puras marcados com o 6 de dias passados, um pouco de tranquilidade e nenhuma ansiedade com o que viria adiante. Apenas estaria sentado observando alguns passarinhos voarem pra longe...
No fundo da sala, numa parede branca, uma frase escrita em letras garrafais "Falar aqui é um desrespeito. Comer é ainda pior", - falar, comer, sorrir, resmungar, engolir seco, olhar pro lado, sussurrar, sonhar, respirar - pensou. E então acontece, os pensamentos escapam por um instante: um pouco de sol tocando de leve seus pés gelados, muitas árvores e um bom livro, algo que não lembrasse nem de longe as experiências com os livros de ciências puras marcados com o 6 de dias passados, um pouco de tranquilidade e nenhuma ansiedade com o que viria adiante. Apenas estaria sentado observando alguns passarinhos voarem pra longe...
terça-feira, 5 de abril de 2011
Preciso de mais paciência pra postar algo decente. To aqui a uma meia hora escrevendo o primeiro parágrafo, mas já apaguei algumas vezes e as boas ideias temem em não vir me fazer companhia. Só sei que quero escrever.
Hoje o professor louco de física falou umas coisas, que claro, fazem o maior sentido, mas são, de alguma forma, tristes de saber. Ele é completamente preso nos conceitos e teorias de física e fica até meio exaltado quando alguém tenta ir contra o que ele acredita, é inteiramente racional.
Não serei hipócrita de achar que ele esteja errado, porque eu também acho bastante difícil acreditar na maioria das coisas ligadas a destinos, divindades, teorias conspiratórias e todas essas coisas não comprovadas, mas o fato é que ele é tão inteiro assim e tão convicto disso que chega a parecer uma máquina.
Só de pensar que nós somos tão pequenos e poucos se olharmos o universo todo, já é um motivo pra nos considerarmos uns ignorantes absolutos, não conhecemos nem uma parte ínfima de tudo que existe. Nós não conhecemos nem a nós mesmos! E por outro lado, somos tantos, vivendo em engarrafamentos enormes, nos apertando em pequenos espaços, competindo desesperadamente por uma vaga na universidade... E já descobrimos tantas coisas incríveis, criamos meios de nos livrar de doenças, de diminuir distâncias, compusemos músicas, pintamos quadros, escrevemos livros, poesias... Nós somos tão espertos!
O que quero dizer com tudo isso, é que sempre existem dois lados, e como "bons humanos" que somos, não devemos simplesmente ser e ser, só isso e pronto. Somos bilhões de pessoas que se esbarram todos os dias mas que nunca se conhecem de verdade porque estamos nos transformando a todo momento, e tudo a nossa volta está também.
As coisas são sempre mais complicadas do que parecem!
Hoje o professor louco de física falou umas coisas, que claro, fazem o maior sentido, mas são, de alguma forma, tristes de saber. Ele é completamente preso nos conceitos e teorias de física e fica até meio exaltado quando alguém tenta ir contra o que ele acredita, é inteiramente racional.
Não serei hipócrita de achar que ele esteja errado, porque eu também acho bastante difícil acreditar na maioria das coisas ligadas a destinos, divindades, teorias conspiratórias e todas essas coisas não comprovadas, mas o fato é que ele é tão inteiro assim e tão convicto disso que chega a parecer uma máquina.
Só de pensar que nós somos tão pequenos e poucos se olharmos o universo todo, já é um motivo pra nos considerarmos uns ignorantes absolutos, não conhecemos nem uma parte ínfima de tudo que existe. Nós não conhecemos nem a nós mesmos! E por outro lado, somos tantos, vivendo em engarrafamentos enormes, nos apertando em pequenos espaços, competindo desesperadamente por uma vaga na universidade... E já descobrimos tantas coisas incríveis, criamos meios de nos livrar de doenças, de diminuir distâncias, compusemos músicas, pintamos quadros, escrevemos livros, poesias... Nós somos tão espertos!
O que quero dizer com tudo isso, é que sempre existem dois lados, e como "bons humanos" que somos, não devemos simplesmente ser e ser, só isso e pronto. Somos bilhões de pessoas que se esbarram todos os dias mas que nunca se conhecem de verdade porque estamos nos transformando a todo momento, e tudo a nossa volta está também.
As coisas são sempre mais complicadas do que parecem!
quarta-feira, 16 de março de 2011
A cidade grande era fascinante. Olhava em volta. Milhares de pessoas apressadas. Edifícios enormes. Toneladas de concreto maciço mantendo-se de pé milagrosamente. O sol baixando deixava o cinza e a poeira tingidos de laranja.
Sentiu o corpo pesando. Era óbvio, "o homem é modelado pelo meio em que vive". Podia sentir suas vértebras enrijecendo-se. Caminhava enquanto pensava onde iria jantar mais tarde. Os pássaros dali eram diferentes dos que se lembrava de antes. Eram todos cinzas e brancos e fim.
Um mendigo deitado no canto da calçada. Que histórias teria pra contar? Teria ele ouvido falar em atentados terroristas, ondas gigantes, tremores de terra ou aquecimento global?
Uma mãe falando alto com a criança que se soltara de sua mão e ameaçava atravessar a avenida movimentada. Teria a mulher sofrido agressões de seu marido e vivia num casamento fracassado, graças à preguiça de ambos de conhecerem-se de fato, ou quem sabe teria ela tanto medo de estar só que levava a mesma vida miserável a anos, aceitando todas as situações, submissa ao esposo? E a criança, seria daquelas espantosamente curiosas e atrevidas, criadas com regalias demais, liberdade demais, refrigerante demais e atenção de menos?
Um homem de lábios secos, com olheras e mochila nas costas. Seria ele um rapaz cheio de sonhos, mas completamente estagnado numa passividade tão destrutiva que já lhe transformara o coração em algo mais seco que seus lábios discretos, e o obrigava a só assistir televisão e aceitar tudo tranquilamente?
Um grupo de estudantes falando alto e rindo, com seus tênis caros, seus entusiasmos extravagantes e seus corações cheios de vida sendo escancarados pra quem quisesse ver. Estariam eles cometendo um crime? Teriam bebidas alcoólicas em suas mochilas? Haveria casais entre eles?
Uma adolescente, calça jeans e all star, fones de ouvido, uma pasta portifólio em uma das mãos, um milk shake na outra. Rosto sério, olhar perdido. Seria ela uma daquelas com tendências suicidas, que ouve músicas tristes e sente frio durante a noite? Teria ela sentido atração por outras meninas um dia? Já teria tocado um garoto num lugar escondido?
Uma idosa caminhando devagar, olhos baixos, mas perceptivelmente assustados, lábios finos comprimidos, mãos trêmulas. Já vira seus filhos casarem-se, formarem-se? Teria netos que a chamariam de "Vovó", mas que não teriam a menor paciência quando ela não ouvisse direito ou não entendesse o que diziam? Teria histórias pra contar? Teria conhecido o amor?
Pensou um instante no que deviam pensar dele quando o viam caminhando distraído.
"Seria um administrador? Funcionário público? Do tipo infiel? Sádico talvez? Apaixonado? É difícil. Escritor solitário? Poeta? Louco? Revolucionário venezuelano antichavista exilado no Brasil? Seria um daqueles caras de meia idade, sentindo-se tão entediado que passou a observar ações triviais de pessoas comuns e a inventar-lhes uma vida, a fim de preencher o vazio de seus própios dias e de sua própria vida, tentando sentir-se um pouco mais humano e um pouco menos egoísta?"
Continuou caminhando e balbuciando But one thing is for real, a fish is a better friend than a human, and that's for sure... My goldfish died today, my goldfish died today...
Sentiu o corpo pesando. Era óbvio, "o homem é modelado pelo meio em que vive". Podia sentir suas vértebras enrijecendo-se. Caminhava enquanto pensava onde iria jantar mais tarde. Os pássaros dali eram diferentes dos que se lembrava de antes. Eram todos cinzas e brancos e fim.
Um mendigo deitado no canto da calçada. Que histórias teria pra contar? Teria ele ouvido falar em atentados terroristas, ondas gigantes, tremores de terra ou aquecimento global?
Uma mãe falando alto com a criança que se soltara de sua mão e ameaçava atravessar a avenida movimentada. Teria a mulher sofrido agressões de seu marido e vivia num casamento fracassado, graças à preguiça de ambos de conhecerem-se de fato, ou quem sabe teria ela tanto medo de estar só que levava a mesma vida miserável a anos, aceitando todas as situações, submissa ao esposo? E a criança, seria daquelas espantosamente curiosas e atrevidas, criadas com regalias demais, liberdade demais, refrigerante demais e atenção de menos?
Um homem de lábios secos, com olheras e mochila nas costas. Seria ele um rapaz cheio de sonhos, mas completamente estagnado numa passividade tão destrutiva que já lhe transformara o coração em algo mais seco que seus lábios discretos, e o obrigava a só assistir televisão e aceitar tudo tranquilamente?
Um grupo de estudantes falando alto e rindo, com seus tênis caros, seus entusiasmos extravagantes e seus corações cheios de vida sendo escancarados pra quem quisesse ver. Estariam eles cometendo um crime? Teriam bebidas alcoólicas em suas mochilas? Haveria casais entre eles?
Uma adolescente, calça jeans e all star, fones de ouvido, uma pasta portifólio em uma das mãos, um milk shake na outra. Rosto sério, olhar perdido. Seria ela uma daquelas com tendências suicidas, que ouve músicas tristes e sente frio durante a noite? Teria ela sentido atração por outras meninas um dia? Já teria tocado um garoto num lugar escondido?
Uma idosa caminhando devagar, olhos baixos, mas perceptivelmente assustados, lábios finos comprimidos, mãos trêmulas. Já vira seus filhos casarem-se, formarem-se? Teria netos que a chamariam de "Vovó", mas que não teriam a menor paciência quando ela não ouvisse direito ou não entendesse o que diziam? Teria histórias pra contar? Teria conhecido o amor?
Pensou um instante no que deviam pensar dele quando o viam caminhando distraído.
"Seria um administrador? Funcionário público? Do tipo infiel? Sádico talvez? Apaixonado? É difícil. Escritor solitário? Poeta? Louco? Revolucionário venezuelano antichavista exilado no Brasil? Seria um daqueles caras de meia idade, sentindo-se tão entediado que passou a observar ações triviais de pessoas comuns e a inventar-lhes uma vida, a fim de preencher o vazio de seus própios dias e de sua própria vida, tentando sentir-se um pouco mais humano e um pouco menos egoísta?"
Continuou caminhando e balbuciando But one thing is for real, a fish is a better friend than a human, and that's for sure... My goldfish died today, my goldfish died today...
Queria escrever mas não sabia como começar hoje, então decidi começar contando isso.
Eu andei de bicicleta hoje, foi legal, tinha uns anos que não pedalava nada, e hoje andei por uns três minutos, quase morri de falta de ar e dor nas pernas, é que era uma daquelas pequenas.
Minha ansiedade está realmente excitada. Não consigo parar de pensar no início das aulas, eu tenho medo de falar sobre isso, porque se eu começo a falar sobre o assunto eu começo a pensar as várias faces do assunto e descubro mais motivos com os quais me preocupar, minha cabeça está cansada de verdade.
Vi filmes legais esses dias.
Ensinei física pra um primo meu (o dono da bicicleta) hoje também.
Minha vontade de falar francês só cresce a cada dia.
Minha vontade de falar só diminui a cada dia.
Minhas mãos continuam trêmulas, acho que tenho isso desde sempre, mas a primeira vez que reparei que tinha alguma coisa diferente foi na 5ª série, durante uma prova, que um professor perguntou porque eu estava tremendo e eu disse que sempre acontecia de uma hora pra outra começava. Depois que fui reparar que ele deve ter pensado que eu estava passando cola ou alguma coisa assim e tava nervosa... Mas nem era, não sei de onde vem isso, às vezes tá tudo normal e começo do nada a tremer as mãos. Minha irmã me chamou de Vó Geralda por isso, foi bem engraçado na hora.
Eu andei de bicicleta hoje, foi legal, tinha uns anos que não pedalava nada, e hoje andei por uns três minutos, quase morri de falta de ar e dor nas pernas, é que era uma daquelas pequenas.
Minha ansiedade está realmente excitada. Não consigo parar de pensar no início das aulas, eu tenho medo de falar sobre isso, porque se eu começo a falar sobre o assunto eu começo a pensar as várias faces do assunto e descubro mais motivos com os quais me preocupar, minha cabeça está cansada de verdade.
Vi filmes legais esses dias.
Ensinei física pra um primo meu (o dono da bicicleta) hoje também.
Minha vontade de falar francês só cresce a cada dia.
Minha vontade de falar só diminui a cada dia.
Minhas mãos continuam trêmulas, acho que tenho isso desde sempre, mas a primeira vez que reparei que tinha alguma coisa diferente foi na 5ª série, durante uma prova, que um professor perguntou porque eu estava tremendo e eu disse que sempre acontecia de uma hora pra outra começava. Depois que fui reparar que ele deve ter pensado que eu estava passando cola ou alguma coisa assim e tava nervosa... Mas nem era, não sei de onde vem isso, às vezes tá tudo normal e começo do nada a tremer as mãos. Minha irmã me chamou de Vó Geralda por isso, foi bem engraçado na hora.
sábado, 5 de março de 2011
sábado, 26 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Acordou. Abriu os olhos por um instante, viu o sol entrando pela porta de vidro, se odiava por não ter comprado as cortinas ainda, já ficava quente embaixo do edredom, mesmo assim se virou pra parede tentando ignorar a claridade ao redor. Enquanto ficava deitado fazia planos muito longe e bem ousados, imaginava como seria o futuro que se aproximava, naquele instante não teve medo nem ansiedade, não sentiu nada tão extraordinário, apenas tentou imaginar como seriam os dias que viriam a frente. Se levantou enfim, ele tinha motivos para se orgulhar, e não tinha dúvidas a respeito disso, sentiu o corpo leve, a cabeça tranquila, tinha a situação sob controle. O café quente trouxe o conforto de estar em casa. A simplicidade de seus livros amontoados num canto do guarda roupas, as canetas que sempre falhavam na lateral da gaveta, uns papéis com anotações à lápis jogados sobre a cama, sua bagunça habitual sempre lhe afirmava aquilo de que já suspeitara, a única coisa de que sempre precisou é estar em um lugar que possa chamar de seu, sentir-se seguro ali é tudo o que importa, é o que faz todos os sacrifícios valerem a pena, é isso que sempre procurou. E estava tudo ali. Ele podia tocar em tudo. Tinha tudo sob controle. Se levantava, comia, ligava o computador, ouvia músicas, lia páginas muito interessantes de outras pessoas enquanto ouvia músicas, via alguns desenhos, comia, abria um livro e lia até uma página predeterminada, ligava o som, a internet de companhia, então cochilava, assistia um filme e então cochilava durante o filme, levantava, comia, olhava o relógio, já começava a ficar escuro, tentava se decidir numa discussão interminável consigo mesmo se preferia com ou sem o horário de verão, nunca chegava a nenhuma conclusão, então ficava muitos minutos debaixo do chuveiro, comia, e ia se deitar, então pensava no futuro, fazia planos, tentava enxergar como seriam os próximos dias, adormecia, e no dia seguinte acordava com a luz do sol entrando pela porta de vidro, se odiava por não ter comprado as cortinas ainda... Tinha tudo sob controle, tentava se convencer diariamente de suas verdades indubtáveis, porque estava tudo ali, podia tocar em tudo. Está tudo sob controle.
É que chegaram dias em que não conseguia controlar seus pensamentos...
O que é essa apatia mórbida que enterrava seus dias? E tudo aquilo que o fazia gostar de ter segurança? Se perguntava sobre o medo que sentia de fazer as coisas mudarem e ao mesmo tempo o pânico que tinha das coisas continuarem como estavam... Estava preso num paradoxo que o fazia não ter o que preferir. Simplesmente tornava-se passivo e aceitava o que já era tarde demais pra mudar, e era tarde não porque era velho ou algo parecido, era muito tarde pra tentar se transformar inteiro novamente. Seus sentimentos então engarrafados, buscavam apenas o conforto da rotina e sua alma, carente e fria, gritava pelo calor do caos, pela queda improvisada, pelo Inesperado!
É que chegaram dias em que não conseguia controlar seus pensamentos...
O que é essa apatia mórbida que enterrava seus dias? E tudo aquilo que o fazia gostar de ter segurança? Se perguntava sobre o medo que sentia de fazer as coisas mudarem e ao mesmo tempo o pânico que tinha das coisas continuarem como estavam... Estava preso num paradoxo que o fazia não ter o que preferir. Simplesmente tornava-se passivo e aceitava o que já era tarde demais pra mudar, e era tarde não porque era velho ou algo parecido, era muito tarde pra tentar se transformar inteiro novamente. Seus sentimentos então engarrafados, buscavam apenas o conforto da rotina e sua alma, carente e fria, gritava pelo calor do caos, pela queda improvisada, pelo Inesperado!
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
É engraçado, eu nem tenho passado meus textos a limpo mais, como agora eu "passo a limpo" pra cá, minhas anotações estão virando uma bagunça, cada uma num tipo de folha diferente, a caligrafia uma beleza... E olhando aqui encontrei um poema que fiz a um tempinho já, e foi feito pra umas pessoinhas que, eu tenho certeza, se estivessem aqui perto de mim estariam deixando as coisas muito mais fáceis. E como já virou banal minha saudade, não tem problema eu escrever mais a respeito dela, me ajuda a esperar o dia de ver vocês de novo. E vai servir como pontapé pra minha coragem aumentar (de novo). Lá vai...
O céu se fez nublado
E me lembrou tão claramente
Daqueles dias de glória, inflados
Suas imagens na minha retina, coladas
Suas almas, à minha, entrelaçadas,
Eram tardes incríveis,
Momentos, não há dúvidas, inesquecíveis
Esperando a chuva chegar,
Sentados juntos na calçada
Comendo chocolate, dando risadas,
São aqueles dias em que tudo parece possível
São dias em que a coragem se torna real.
A luz do sol, então ofuscada,
Nos toca, na medida exata
Sonhamos com um futuro de dias assim lotado,
Sonhamos com essa alegria assim sincera, abençoada...
No início dessa semana eu escrevi um texto que começava assim : "Acho que já sinto um desânimo crônico"... e depois disso vinha um monte de blá blá blá ainda pior. Decidi não postar naquele dia porque tava realmente desanimada, então hoje fui ler de novo pra ver se postava e decidi que não ia. Só algumas partes que ainda estão valendo hoje eu vou pôr aqui. É que tem dias que é impossível postar confiante e otimista, se olhar bem, na maioria deles...
Tenho experimentado sensações diferentes nas últimas semanas, isso tem me deixado meio confusa, às vezes to me sentindo muito bem, acordo esperando um dia ótimo e de repente, milhares de pensamentos preocupados ocupam minha cabeça novamente. Mas não são preocupação de verdade, na verdade mesmo eu to morrendo de medo de assumir responsabilidades. Eu não consigo simplesmente fazer as coisas que tem que ser feitas e deixar que o tempo organize o resto, fico repassando todos os assuntos de novo e faço planos sem nexo. Eu tinha me prometido que se eu passasse na faculdade esse ano eu não ia mais reclamar, eu tinha me prometido que estaria sempre satisfeita, e eu to, mas to com muito medo, não sei de onde veio isso, eu tento ter pensamentos positivos quando começo a ficar pilhada, e até que resolve, por alguns minutos... De qualquer maneira eu tenho me esforçado pra relaxar. Não quero me sentir ingrata com as coisas boas que tem me acontecido desde o ano passado e que continuaram esse ano, eu não sei o que tá acontecendo mas minha vida tem melhorado cada vez mais, não é possível que eu seja assim tão covarde, que não consiga encarar umas situaçõezinhas mais chatas...
Isso aqui ta cada vez mais parecido com um diário, não quero isso, ta ficando horrível, então espero conseguir postar de novo umas coisas menos chatas das próximas vezes.
Tá chovendo lá fora, só vi agora, é melhor diminuir o volume do fone.
Aném, Beck é bem melhor.
Tenho experimentado sensações diferentes nas últimas semanas, isso tem me deixado meio confusa, às vezes to me sentindo muito bem, acordo esperando um dia ótimo e de repente, milhares de pensamentos preocupados ocupam minha cabeça novamente. Mas não são preocupação de verdade, na verdade mesmo eu to morrendo de medo de assumir responsabilidades. Eu não consigo simplesmente fazer as coisas que tem que ser feitas e deixar que o tempo organize o resto, fico repassando todos os assuntos de novo e faço planos sem nexo. Eu tinha me prometido que se eu passasse na faculdade esse ano eu não ia mais reclamar, eu tinha me prometido que estaria sempre satisfeita, e eu to, mas to com muito medo, não sei de onde veio isso, eu tento ter pensamentos positivos quando começo a ficar pilhada, e até que resolve, por alguns minutos... De qualquer maneira eu tenho me esforçado pra relaxar. Não quero me sentir ingrata com as coisas boas que tem me acontecido desde o ano passado e que continuaram esse ano, eu não sei o que tá acontecendo mas minha vida tem melhorado cada vez mais, não é possível que eu seja assim tão covarde, que não consiga encarar umas situaçõezinhas mais chatas...
Isso aqui ta cada vez mais parecido com um diário, não quero isso, ta ficando horrível, então espero conseguir postar de novo umas coisas menos chatas das próximas vezes.
Tá chovendo lá fora, só vi agora, é melhor diminuir o volume do fone.
Aném, Beck é bem melhor.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Eu não sei descrever como me sinto agora, é tão estranho, eu não sei, talvez seja ciúme, ou não, é que não há motivos, e ao mesmo tempo me sinto melhor porque talvez assim esses pensamentos saiam da minha cabeça... Isso já dura tanto tempo, já me deixou tão cansada, irritada... Eu nem sei o que dizer ou o que pensar a respeito, já fiz o que tinha que ser feito, e acho que foi até motivo de... na verdade eu nem sei, porque não houve manifestações. Já passei da fase de ficar pirando, mas as coisas vão bem e depois pioram, e fica indo e vindo, isso nunca para. Nem faz sentido, como pode um negócio desses?
sábado, 22 de janeiro de 2011
É, passou mais um dia e o que foi que eu fiz? Eu não faço nada, é incrível, muita gente acha até difícil eu não fazer nada todo dia, o dia todo, mas eu realmente não faço.
Que cara de pau a minha, na verdade eu nem me sinto culpada. Acho que me acostumei a essa passividade. Eu talvez até quisesse reagir, mas não sei como, eu de verdade não sei fazer isso. Talvez o blog seja um erro, eu percebo que eu gosto muito mais de ler o que outros escrevem do que de escrever mesmo.
Já estou em falta com esse blog praticamente desde que comecei.
Tive momentos em que postei sinceramente, mas muitos outros em que só fiquei em silêncio no meio das minhas milhares de anotações à caneta feitas no meu velho caderno de capa azul.
A verdade é que me sinto tão vazia e entediada que não consigo mais escrever. Sofrer não é ruim, pelo menos me rende uns textos melodramáticos o suficiente para eu achar interessante postar, mas eu ando meio "sem sentidos" esses dias. Eu até que me sinto bem, mas não o suficiente para textos otimistas e muito menos sinto o que senti tantas vezes nos últimos meses. E se eu começo a pensar nisso eu começo a sentir uma angústia estranha porque eu nunca chego a nenhuma conclusão, eu me sinto completamente perdida, eu nem consigo enxergar o problema de fato, eu nem sei se há um problema, isso tá tão chato, esses dias calmos, essa cabeça vazia de pensamentos produtivos, essa falta de assunto. To cansada de acordar tarde, cansada de ouvir as besteiras vazias de pessoas próximas - eu me sinto mal com isso, mas será que não dá pra perceber que eu não estou interessada? -, cansada de ver filmes que não tem um bom roteiro, eu queria saber como podem existir pessoas que façam filmes tão ruins como os que eu vi hoje, me dá um desânimo, estou cansada das minhas músicas velhas (é muito ruim dizer isso, me sinto mal mesmo), e do barulho da tv que nunca acaba, desse frio que congela meus pés quando estou no computador, dessa preguiça de responder os recados e emails e ligar pra pessoas a quem devo notícias a dias, e da bagunça do meu quarto, eu sinto raiva daquela caixa, ali no canto, que eu ainda não desfiz desde a mudança...
As coisas devem melhorar na semana que vem, assim espero de verdade, quero de volta minhas dores de cabeça, meus momentos psicóticos à espera de algum ônibus abençoado pra me levar a algum lugar muitas vezes nada interessante mas que no fim das contas é o que me faz bem, o que me faz sentir muito prazer em estar de volta em casa, ligar o computador e morrer na voz do David Byrne.
Preciso de algo pra preencher os meus dias, e preciso de um par de meias e de um pão de queijo.
Que cara de pau a minha, na verdade eu nem me sinto culpada. Acho que me acostumei a essa passividade. Eu talvez até quisesse reagir, mas não sei como, eu de verdade não sei fazer isso. Talvez o blog seja um erro, eu percebo que eu gosto muito mais de ler o que outros escrevem do que de escrever mesmo.
Já estou em falta com esse blog praticamente desde que comecei.
Tive momentos em que postei sinceramente, mas muitos outros em que só fiquei em silêncio no meio das minhas milhares de anotações à caneta feitas no meu velho caderno de capa azul.
A verdade é que me sinto tão vazia e entediada que não consigo mais escrever. Sofrer não é ruim, pelo menos me rende uns textos melodramáticos o suficiente para eu achar interessante postar, mas eu ando meio "sem sentidos" esses dias. Eu até que me sinto bem, mas não o suficiente para textos otimistas e muito menos sinto o que senti tantas vezes nos últimos meses. E se eu começo a pensar nisso eu começo a sentir uma angústia estranha porque eu nunca chego a nenhuma conclusão, eu me sinto completamente perdida, eu nem consigo enxergar o problema de fato, eu nem sei se há um problema, isso tá tão chato, esses dias calmos, essa cabeça vazia de pensamentos produtivos, essa falta de assunto. To cansada de acordar tarde, cansada de ouvir as besteiras vazias de pessoas próximas - eu me sinto mal com isso, mas será que não dá pra perceber que eu não estou interessada? -, cansada de ver filmes que não tem um bom roteiro, eu queria saber como podem existir pessoas que façam filmes tão ruins como os que eu vi hoje, me dá um desânimo, estou cansada das minhas músicas velhas (é muito ruim dizer isso, me sinto mal mesmo), e do barulho da tv que nunca acaba, desse frio que congela meus pés quando estou no computador, dessa preguiça de responder os recados e emails e ligar pra pessoas a quem devo notícias a dias, e da bagunça do meu quarto, eu sinto raiva daquela caixa, ali no canto, que eu ainda não desfiz desde a mudança...
As coisas devem melhorar na semana que vem, assim espero de verdade, quero de volta minhas dores de cabeça, meus momentos psicóticos à espera de algum ônibus abençoado pra me levar a algum lugar muitas vezes nada interessante mas que no fim das contas é o que me faz bem, o que me faz sentir muito prazer em estar de volta em casa, ligar o computador e morrer na voz do David Byrne.
Preciso de algo pra preencher os meus dias, e preciso de um par de meias e de um pão de queijo.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
É impressionante como alguns momentos fazem diferença nos nossos dias... Bom, é difícil tomar atitudes, sair do casulo confortável, encarar algumas situações, mas quando se cria coragem pra fazê-lo, o retorno é muito positivo. Eu falo de sentimentos. E olha que coisa incrível, esse é o primeiro post de 2011, é meio bobo isso, mas eu sinto que comecei a me mexer, é simples, é só me esforçar um pouquinho e esquecer por alguns instantes "o que será que os outros vão pensar?", e eu decidi não me importar mais se eu parecer meio boba. Vai ser uma mudança e tanto. As coisas têm que começar a se acertar certo?
"Vou me afundar na lingerie, babe" ! É, já era tempo.
"Vou me afundar na lingerie, babe" ! É, já era tempo.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
E esqueci de comentar que a "Sala de Cópias" não existe mais, bom, na verdade ela existe, o que não existe sou eu dentro dela. Foram inspirantes os momentos de tédio dentro daquela sala gelada... No próximo ano outro alguém irá ocupá-la, e tomara que ela também goste do ambiente e da solidão "da última sala da ala par". Pra ser sincera o que eu mais gostava de lá eram os lanches escondidos acompanhada das minhas insaparáveis companheiras (saudade meninas!), o bom é que a conta da lanchonete não vai ficar tão gorda que nem no último mês (e nem eu também haha). De qualquer maneira o blog continua existindo. Não me abandonem!
Ontem fez dois anos que me mudei. São dois anos desde que deixei meus dias confortáveis pra trás.
É contraditório como me sinto agora, eu sinto saudade, e sinto a maior parte do tempo e agora ainda tenho, além dos antigos, novos “motivos” de quem sentir saudade, e eu sinto vontade, eu me sinto vazia precisando dos meus amores para “preencher esse hiato” (by Gabriel), e preciso de dias de tranquilidade, mas meus dias têm sido bons (ou quase isso), mas eu não consigo me libertar de alguns sentimentos que acabam frustrando cada momento que passa. Eu me sinto vazia, mas me sinto cheia de vida, e isso transborda de mim, sai pelos meus poros, eu preciso de coisas acontecendo, preciso de dias “lembráveis”. Eu quero boas companhias, quero sentir que, sim, TUDO PODE SER REALIZADO! Eu vivo esperando dias em que a minha ansiedade se transforme em algo verdadeiro, que as coisas boas estejam próximas, e, bom, hoje eu me sinto chegando cada vez mais perto, eu me sinto bem. Dias de glória se aproximam, e mesmo que nem todos meus desejos se realizem, eu não tenho mais dúvidas disso, dias de glória se aproximam.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Era engraçado como passava seus finais de semana em casa, sempre só, mas aparentemente tão seguro, recolhido entre pilhas de livros e filmes, procurando músicas novas e se entupindo das velhas, sempre se perguntava como pessoas faziam trabalhos tão impressionantes; nesses momentos sentia orgulho em fazer parte de tudo isso. Eram horas e horas se afogando em litros de chá, mergulhado em si mesmo.
Se alegrava quando conseguia escrever algo verdadeiro. Poderia escrever a qualquer momento que quisesse, mas eram raros os que conseguia descrever exatamente como se sentia.
Em várias ocasiões se lembrava de sentir medo, mas pelo menos durante o dia, durante a leitura, música e cinema estava realmente em paz e nem se importava que momentos de maus pensamentos voltariam novamente. Mas não queria falar sobre isso, se distraía e queria pensar só em si mesmo e em como se realizava ali, sozinho, apenas vivendo, vivendo e vendo a vida simples como deveria ser.
Se alegrava quando conseguia escrever algo verdadeiro. Poderia escrever a qualquer momento que quisesse, mas eram raros os que conseguia descrever exatamente como se sentia.
Em várias ocasiões se lembrava de sentir medo, mas pelo menos durante o dia, durante a leitura, música e cinema estava realmente em paz e nem se importava que momentos de maus pensamentos voltariam novamente. Mas não queria falar sobre isso, se distraía e queria pensar só em si mesmo e em como se realizava ali, sozinho, apenas vivendo, vivendo e vendo a vida simples como deveria ser.
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